Investir Certo: Por que projetos fracassam? Parte 2

Nesta edição irei aprofundar a temática mercado, apresentando questões mais fundamentais, e, também, iniciar a abordagem do tópico "A orçamentação incompleta dos investimentos"

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Novembro de 2015 Edição do Mês
Fernando L. Motta dos Santos

Criador da Solução VIAVEL Saúde - Simulação de Projetos e Análise do Investimento, diretor da SI Consultoria e da DahMotta TI, e possui 37 anos de experiência em viabilidade de investimentos, sendo 11 na área da Saúde




Na última edição da revista apresentei as principais causas de insucesso em projetos e investimentos e expliquei as consequências da ausência, insuficiência ou do desrespeito ao planejamento e da inexistência, inconsistência ou dos equívocos nos dados de mercado. Nesta edição irei aprofundar a temática mercado, apresentando questões mais fundamentais, e, também, iniciar a abordagem do tópico "A orçamentação incompleta dos investimentos". 

Um dos erros frequentes em projetos é a realização de investimentos baseados em dados de mercado inconsistentes. O estudo existe, mas os dados são fantasiosos, mal coletados ou mal analisados, resultando em conclusões sem consistência. Um pensamento que pode levar a esse resultado é o de projetar que o futuro será uma extrapolação do passado. Ora, a vida é dinâmica. As estruturas: etária, de renda e de morbidade mudam com o tempo. É essencial que os projetos levem isso em conta! Um fato sobejamente conhecido é a contínua redução
da taxa de natalidade da população brasileira.

Organizações que realizaram investimentos em maternidades e áreas materno-infantis no ano 2000 consideraram que a taxa média de natalidade entre 1991 e 1999 seria mantida em algo como 2,2% ao ano, e se depararam com uma contínua redução. A média entre os anos 2000 e 2010 foi de aproximadamente 1,8% e, especificamente no ano de 2013, 1,38% (menos da metade dos 2,9% registrados em 1985). Provavelmente, essas maternidades e áreas materno-infantis estejam hoje operando com ociosidade e prejuízo. Outra situação bem comum é investir com base apenas no "feeling" (sentimento) do proprietário, do gestor ou de algum médico conceituado em determinada
especialidade. 

Esse "feeling" é uma ótima razão para a realização de um estudo de mercado e, se este mostrar-se atraente, as subsequentes simulações a partir da avaliação de viabilidade completa. As organizações da área da Saúde penam muito para obter resultado (lucro) ou para conseguir doações ou verbas oficiais para novos investimentos. Logo, as decisões sobre quais projetos implementar deveriam sempre ocorrer após estudos aprofundados. Orçamentação incompleta é também consequência de planejamento insuficiente. É altamente perigosa para um investimento ou projeto, tanto por causar falta de recursos, quanto por reduzir (ou anular) o retorno do investimento. E, infelizmente, ocorre muito mais comumente do que seria de se esperar.

Projetos na área de Saúde em geral envolvem diversas categorias de investimento. Dentre elas, as mais facilmente identificadas são as obras civis e os aparelhos médicos. Há, porém, uma série de outras categorias que podem ser essenciais ao projeto. Sem ser exaustivo, listarei algumas que, por vezes, são esquecidas:
a. Estudos e Projetos;
b. Instalações Prediais;
c. Montagens/despesas de instalação de equipamentos;
d. Móveis;
e. Utensílios;
f. Despesas de internação de equipamentos importados;
g. Softwares;
h. Despesas pré-operacionais;
i. Treinamento de pessoal;
j. Capital de Giro (acréscimo decorrente do projeto)

Acredito que esquecimento deriva de conhecimento insuficiente, por isso a importância de esclarecer conceitos e detalhar os componentes de cada uma das categorias de investimento. Na categoria de componentes móveis devem estar orçados todos os tipos, inclusive os fixos, como balcões e armários embutidos. Estão incluídos nesta categoria colchões, prateleiras, sofás, armários, arquivos, bem como todos os tipos de cadeiras, incluídas as de roda. Num grande projeto que participei - que envolveu R$ 245 milhões de investimentos fixos - foi esquecido de orçar todos os móveis fixos. Só nesta rubrica foram desembolsados perto de R$ 8 milhões.

Nas próximas edições da PH detalharei as demais categorias de investimento.

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