Negócios em Saúde

Profissionais do setor falam sobre a importância da Gestão Estratégica para os empreendimentos de Saúde

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Novembro de 2015 Edição do Mês

Por Keila Marques


 
 

A conferência Health Management Brazil começou ontem (24), em São Paulo (SP), com a palestra “Gestão Estratégica nos Empreendimentos de Saúde: Pensando na Saúde como um Negócio”. O debate foi formado por representantes das diversas esferas que compõe o setor. À frente dos hospitais, estava o Dr. Gonzalo Vecina Neto, superintendente corporativo do Hospital Sírio Libanês, e das clínicas, Henrique Pereira, diretor comercial do Centro de Combate ao Câncer (CCC). Já a visão do mercado de laboratórios foi representada por Maria Alice Bulgarelli, superintendente comercial do Salomão Zoppi Diagnósticos. E para completar a mesa, com um olhar institucional, estava Yussif Ali Mere Junior, Presidente da Federação dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo. A moderação ficou por conta da coordenadora de cursos de pós-graduação da área da Saúde do Senac, Alexandra Bulgarelli do Nascimento.

Dados referentes ao setor foram apresentados logo no início. Em 2014, cerca de 8% a 9% do PIB foram gastos com saúde no Brasil, o que representa R$ 50 bilhões. Para efeitos de comparação, como lembrou o Dr. Gonzalo, os Estados Unidos gasta com saúde 17% do PIB. Então, além de investirmos menos, o PIB brasileiro, hoje, de 2.2 trilhões de dólares, é ¼ do PIB norte-americano. “O grande desafio do Brasil é o crescimento”, afirma.

Para o Dr. Gonzalo, a saúde é subfinanciada tanto no setor público quanto no privado. Segundo ele, hoje, 70% dos hospitais privados têm finalidade lucrativa, o resto é filantrópico. “Só que nenhuma organização vive somente do lucro. É preciso pensar em sustentabilidade, ou seja, em ações com foco no longo-prazo e que beneficiem a sociedade como um todo. Porém, a maioria pensa assim: 'não vou fazer política de atenção no meu hospital por que custa caro e ninguém vai pagar por isso'", enfatiza. "Qualidade é fazer certo, e não fazer melhor. Temos uma visão enviesada de qualidade.”

Compartilha da mesma opinião, sobre qualidade, o presidente da Fehoesp. “Esse modelo assistencial brasileiro que não atende a necessidade do gerenciamento de doenças crônicas precisa acabar. Não dá para oferecer um tratamento aquém e ter um resultado financeiro melhor”, afirma Yussif. Já Maria Alice Bulgarelli, do Salomão Zoppi Diagnósticos, que também falou sobre sustentabilidade, enfatizou o fato de a maioria dos hospitais não terem noção de seus custos reais, o que inviabiliza qualquer modelo de gestão estratégica. “É fundamental saber quanto custa cada serviço e produto prestado e qual é o objetivo da instituição, além de estudar o mercado e criar um produto sustentável. Tudo isso te ajuda a fazer um plano com ações que tragam resultados no longo prazo, porém sólidas. Melhor do que obter resultados rapidamente e cometer falhas.”

Para finalizar o debate, Henrique Pereira lembrou que ainda existe certa resistência quanto ao uso do termo ‘negócios’ em saúde. Segundo ele, o entendimento de que todos fazem parte de um mesmo sistema é fundamental. “O setor ainda não amadureceu. Existe desconfiança nas relações e falta colaboração entre as partes [operadoras, prestadores de serviços e fornecedores]." 

O Health Management Brazil termina hoje, 25 de novembro, com uma programação repleta de temas diferenciados, como planejamento estratégico, gestão de pessoas, tendências de TI e análises de rentabilidade e resultados. A realização é da Blue Ocean, empresa especializada no desenvolvimento de eventos para públicos segmentados.

 

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