Game promete auxiliar no tratamento de pacientes com AVC

É o primeiro jogo da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) criado para a reabilitação de membros superiores de pacientes hemiplégicos (paralisia em um dos lados do corpo)

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Novembro de 2015 Edição do Mês

Com informações do HUSM


 

Atari, Nintendo, Playstation, X-Box... Não importa a época, desde que foi inventado, o videogame toma conta da cabeça da garotada. E dá-lhe mãe chamando a atenção: "Sai desse jogo, menino... Vai estudar". Mas agora, uma parceria entre o Ambulatório de Fisioterapia do Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM), no Rio Grande do Sul, e o grupo CA+SA (Computação Aplicada a Saúde) está desenvolvendo um game que toda mãe vai apoiar. É o primeiro jogo sério da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), criado para auxiliar na reabilitação de membros superiores de pacientes hemiplégicos (paralisia em um dos lados do corpo).

O estudo começou há dois anos, com o trabalho de conclusão de curso de Ciência da Computação. Para o mestrado, Diego João Cargnin, orientado pela professora doutora em Ciências da Saúde, Ana Lúcia Cervi Prado, está aperfeiçoando o game. Em novembro, foi iniciada a fase de testes do protótipo. Os acadêmicos do curso de Fisioterapia estão usando o jogo para testar sua funcionalidade e usabilidade. Os próximos a realizarem o teste serão os profissionais da área. Cerca de 50 pessoas terão acesso ao jogo para fazer os ajustes necessários até que os próprios pacientes possam testá-lo.

A sala de atendimento de Reabilitação Neurológica se transformou em um grande pomar. Diante de árvores virtuais, o usuário – através de movimentos – pode colher laranja, peras e maçãs. O objetivo é pegá-las com a mão e depositá-las, uma a uma, no cesto. A simulação dura em média 10 minutos, quando feita com apenas um jogador e, 30 minutos, se feita em dupla. Mas, a velocidade para a execução do exercício e o tempo para completar a tarefa são ajustáveis ao perfil do paciente.

Enquanto o paciente faz o exercício, todos os movimentos são gravados no monitor. Dessa forma, o fisioterapeuta tem condições de monitorar e avaliar o grau de amplitude dos movimentos das articulações do ombro e cotovelo, por exemplo, mesmo sem estar presente. O objetivo principal é oferecer um estímulo a mais na recuperação dos movimentos e sua funcionalidade. "Será uma ferramenta a mais. Mas de forma alguma substituirá o atendimento presencial. Será o fisioterapeuta que irá avaliar se o paciente está apto para complementar o tratamento com o jogo, em casa", afirma Ana Lúcia.

O jogo oferece ainda estímulos através do som, da cor e do movimento, intensificando, assim, a reabilitação neurofuncional por meio do aprendizado e da memória, de modo a ampliar o circuito estímulo-resposta envolvido. O caminho ainda é longo até que o jogo possa chegar aos consultórios. Contudo, a dupla de pesquisadores enfatiza que o objetivo não é comercializá-lo.

"Não para o momento, pois há muito ainda a se testar até que se demonstre um indicador de qualidade que o valide como proposta de tratamento. Há toda uma tramitação interna, com registros a serem seguidos até que a ferramenta possa se tornar de domínio público. Nosso foco é trazer mais qualidade de vida aos usuários do Sistema Público de Saúde (SUS), tendo como aliada a tecnologia", completa Ana Lúcia.

 

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